Constituição atual do Cabido
Deão: Cón. Doutor Mário José Rodrigues de Sousa
Chantre e secretário: Cón. Dr. Carlos Manuel Patrício de Aquino
Arcediago e tesoureiro: Cón. Dr. Rui José Barros Guerreiro
Penitenciário: Cón. Dr. Rui José Barros Guerreiro
Restantes cónegos:
Cón. Eng. Carlos Alberto César Morais Chantre
Cón. Manuel de Oliveira Rodrigues
Cón. Dr. Joaquim José Duarte Nunes
Jubilados / Eméritos:
Cón. Dr. Joaquim Luís Cupertino
Cón. José Rosa Simão
Sala do Cabido
Espaço onde se reúne o Cabido dos cónegos, órgão responsável pela liturgia e pela administração e conservação da Catedral. A mesa e as cadeiras – onde tomam lugar o Deão (presidente do Cabido), o Chantre (responsável pela liturgia da Catedral), o Arcediago (responsável direto pela administração) e os demais cónegos – assentam sobre um tapete de origem persa (Najafabad Patina). No nicho embutido, encontra-se uma imagem de Nossa Senhora do Rosário (séc. XVIII). A tela da “Adoração dos Magos” é do séc. XIX, tal como o móvel-contador, ambos de origem espanhola. Nas paredes laterais, encontram-se os armários capitulares, destinados a cada um dos cónegos. No centro da abóbada, encontra-se o brasão de armas do Cabido da Sé de Faro.
Cabido da Sé
Hoje é opinião generalizada que o cristianismo entrou em Portugal pela região que é hoje o Algarve. Em 303, o bispo Vicente de Ossónoba (atual Faro) assinou as atas do Concílio de Elvira, o que significa que, pelo menos no séc. III, já havia uma Igreja estruturada no território algarvio.
A origem do Cabido na Diocese do Algarve é incerta, mas sabe-se que, após a criação da Diocese de Silves em 1189, foi instituído com estatutos próprios confirmados pela Santa Sé.
Em 1539, o Papa Paulo III publica a bula que manda passar a sede episcopal para Faro, transferindo a Sé para a Paroquial Igreja de Santa Maria, em Faro. No ano seguinte, D. João III eleva-a a cidade, título condizente com a nova situação de cidade-cabeça de Bispado.
A mudança para Faro foi realizada em 1577, sendo Bispo do Algarve o humanista D. Jerónimo Osório. Estando em Faro, na Semana Santa deste ano, em dia de Sexta-feira, não regressou a Silves para celebrar as solenidades próprias. Celebrou-as em Santa Maria, a nova Catedral, executando assim a Bula de 1539.
Assim, no dia 30 de março de 1577, o Cabido, com D. Jerónimo Osório, oficiou pela primeira vez na nova Catedral. O Cabido Catedralício da Sé de Faro é composto, conforme o cân. 503 do Código de Direito Canónico, por um Colégio de Sacerdotes que, mantendo uma antiga tradição das Igrejas do Ocidente, serve a Igreja Diocesana do Algarve e o seu Bispo, no Culto Divino e no Ministério, sendo regido por estatutos próprios internos.
É constituído por seis Cónegos Capitulares, três dos quais são Dignidades, que precedem uns aos outros por esta ordem: Deão, Chantre, Arcediago da Sé, e todos os demais Cónegos, e estes entre si pela sua antiguidade.
O Cabido não está sujeito ao princípio do numerus clausus, sendo estabelecido nos seus estatutos que o órgão deve ser composto por seis cónegos com idade inferior a 75 anos, presididos por um Deão, coadjuvado pelo Chantre (responsável pela liturgia) e pelo Arcediago (responsável pelo património).
Ao atingir a idade de setenta e cinco anos, os Capitulares são convidados a pedir ao Bispo diocesano a sua jubilação, por requerimento entregue ao Deão, o qual juntará o parecer do Cabido. Os Capitulares a quem o Prelado aceite os pedidos de resignação passam à categoria de eméritos.
Como órgão consultivo, o Cabido tem um papel importante na Diocese. Além de exercer funções litúrgicas na Catedral, tem como missão zelar pela conservação do seu património e promover a evangelização da cultura. Ao longo dos séculos, tem sido um pilar essencial na vida religiosa e cultural da região.
O brasão de armas do Cabido da Diocese do Algarve é um símbolo de fé, tradição e da missão pastoral do Cabido, refletindo os valores cristãos e a história da Diocese. Assim:
– Os corvos: representam S. Vicente, padroeiro da Diocese do Algarve
– A estrela azul simboliza Santa Maria de Faro, a quem a cidade de Faro estava dedicada, e recorda o milagre que lhe foi atribuído, ainda durante o domínio árabe e expresso nas Cantigas de Afonso X, o Sábio. A imagem de Santa Maria estava colocada nas muralhas, por ser de suma importância para a comunidade cristã residente. Certa vez, após confrontos entre cristãos e muçulmanos, a imagem foi atirada ao mar por estes últimos. De aí em diante, sempre que iam à pesca, as redes dos pescadores vinham vazias. Os muçulmanos consideraram isso como punição do Céu e resolveram retirar a imagem do mar e recolocá-la nas muralhas. A partir daí a pesca voltou a ser abundante.
– A vara florida, de amendoeira remete, duplamente, quer para a figura de Santa Maria, como pináculo da Árvore de Jessé, de onde nasce o Salvador, Jesus Cristo, de onde advêm os frutos da Santa Igreja, como também identifica a região, por ser cultura abundante. Frase-lema: retirado da Primeira Carta de S. Paulo a Timóteo (1Tim 3,15):
«Quero que saibas como deves proceder na casa de Deus, esta Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade»;
é um apelo ao modo de servir, custodiar e aconselhar os modos de viver em Igreja e Comunhão, de que o Cabido deve ser imagem, em contexto diocesano, para Glória da Igreja, dos fiéis e do seu Bispo.

